Rio Pardo de Minas é o município mais antigo do Norte
de Minas Gerais. Foi criado por decreto regencial no dia 3 de outubro de 1831,
cujo imenso território de mais de 20 mil quilômetros quadrados foi desmembrado
da Vila de Nossa Senhora do Bom Sucesso das Minas Novas de Araçuaí (atual
município de Minas Novas).
A instalação da 1ª. Câmara Municipal ocorreu no dia
24 de agosto de 1833, presidida pelo padre Carlos Pereira Freire Moura, passado
a vila existir de fato e direito.
A origem de Rio Pardo de Minas remonta ao século
XVII. Vindos da Bahia, desbravadores chegam à região. Uma fazenda de criação de
gado surge na confluência dos rios Pardo e Preto. Em 1698 é transformada na
Colônia Antônio Luiz dos Passos. Aventureiros na exploração de ouro e gado vão
fixando nas imediações da Colônia formando pequena aglomeração urbana. Logo é
construída a capela de Nossa Senhora da Conceição. Em 1740, o povoado é elevado
à paróquia e, em 1757, constrói-se a igreja matriz.
O que pouca gente sabe é em que circunstância e quem
foi o responsável pela criação da Vila de Rio Pardo. Pode-se afirmar que foi ao
acaso em razão da passagem de um baiano no então povoado em 1831 com o nome de
Francisco Gê Acayaba de Montezuma. Procedente de Salvador e com destino ao Rio
de Janeiro utilizara aquela rota para chegar ao destino.
Ao passar pelo povoado de Rio Pardo ali ficou por
alguns dias para descansar. Com isso teve algum contato com moradores do lugar,
principalmente com Conrado Gomes da Silva, descendente do terceiro contratador
de diamantes, Felisberto Caldeira Brant. Os moradores logo ficaram sabendo que
aquele visitante era deputado e possuía alto prestígio junto a Alta Corte
Regencial (1831-1840) no Rio de Janeiro.
Agradecido pela boa recepção do povo local se colocou
à disposição dos moradores para atender qualquer solicitação ao seu alcance.
Localizado em um ponto distante do sertão norte -
mineiro e sem qualquer tipo de influência política, os rio-pardenses
vislumbraram naquele homem a possibilidade de pleitear na Corte a elevação do
povoado à categoria de Vila (equivalente a município atualmente), uma antiga
aspiração local. Este, comovido com a recepção e dos apelos e
justificativas, principalmente do Conrado Gomes da Silva, se colocou à
disposição para ser porta-voz junto à Corte.
Francisco Montezuma nunca mais retornou àquele lugar.
Mas cumpriu o prometido. Pouco tempo depois foi publicado decreto regencial
elevando o povoado de Rio Pardo à categoria de Vila no dia 13 de outubro de
1831. Conrado Gomes da Silva foi nomeado Tenente-Coronel da Guarda Nacional.
Em gratidão o povo de Rio Pardo rebatizou o nome do
povoado de Água Quente para Montezuma. O lugar é muito famoso por suas fontes
termais. Possui balneário de águas quentes naturais e se constitui uma das
principais fontes de renda da localidade.
Mas quem foi o responsável pela criação da primeira
vila do sertão norte - mineiro em 1831?
Francisco Gê Acayaba de Montezuma nasceu em Salvador
no dia 23 de março de 1794 com o nome de batismo de Francisco Gomes Brandão,
filho do comerciante português Manoel Gomes Brandão e da mestiça brasileira
Narcisa Teresa de Jesus Barreto.
Ainda jovem, tentou a carreira militar, mas foi
obstado pela família. Em 1816 foi estudar na tradicional Universidade de
Coimbra – Portugal – onde se formou na Faculdade de Ciências Jurídicas e
Filosóficas em 1821. Retornando para a Bahia torna-se defensor ardoroso da
independência. Foi co-fundador do jornal O Constitucional em
Salvador.
Proclamada a Independência em 1822, abandona o nome
de batismo passando a se chamar Francisco Gê Acayaba de Montezuma como forma de
se opor ao colonialismo lusitano, incorporando ao próprio nome todos os
elementos que formam a nação brasileira, além de homenagem ao imperador asteca
Montezuma.
Como prêmio por sua participação nas lutas pela
independência, o Imperador D.
Pedro I concede a Francisco Montezuma o título de Barão de
Cachoeira, que foi recusado, porém aceitou ser agraciado comendador da Imperial Ordem do Cruzeiro.
Francisco Montezuma ingressa na política em 1823 e se
elege deputado pela Bahia indo para a Corte. Ali exerce ferrenha oposição ao
Ministro da Guerra. É preso e exilado na França por oito anos.
No seu retorno ao Brasil é eleito para a Assembléia
Geral Constituinte de 1831. Torna-se o primeiro deputado brasileiro a levantar bandeira
contra o tráfico negreiro se colocando como um dos pioneiros do movimento
abolicionista.
Recebeu em 1834, com grandeza, o titulo
de Visconde de Jequitinhonha. Em 1837 é nomeado Ministro da justiça e dos
Estrangeiros. Ocupou, ainda, o cargo de Ministro Plenipotenciário (diplomata)
junto ao Império Britânico.
Em 1850 foi nomeado Conselheiro de Estado, e em 1851
se elege Senador por seu estado natal, Bahia.
Foi o fundador e primeiro presidente do Instituto dos Advogados do Brasil e
um dos membros-fundadores do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil.
Recebeu o título de Visconde com
Grandeza (Grande do Império) com o decreto imperial de 2 de dezembro de
1854. Foi ainda comendador da Ordem de Nossa
Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Foi, ainda, condecorado com a medalha
da Guerra da Independência.
Em 12 de março de 1829, então no exílio, recebe do
Supremo Conselho dos Países
Baixos – atual Bélgica – uma carta de autorização para instalar um
Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e aceito no
Brasil. De volta ao Brasil, Montezuma instala o Supremo Conselho, usando a
autorização do Supremo Conselho da Bélgica em 12 de novembro de 1832.
Polêmico e contraditório, Francisco Gê Acayaba de
Montezuma foi pessoa importante durante o segundo reinado de D. Pedro II.
Faleceu no Rio de Janeiro no dia 15 de fevereiro de 1870, aos 76 anos.
Definitivamente não foi uma pessoa comum.
A sua breve passagem por Rio Pardo em 1831 foi
um marco histórico da região norte - mineira e do Jequitinhonha no século
XIX. O seu gesto foi marco inicial importante no processo de formação
territorial do Norte de Minas e Jequitinhonha, possibilitando o surgimento de
dezenas de novos municípios.

Puxa... Não sabia desta história.
ResponderExcluirGe Acayaba de Montezuma é meu tataravô.
Gostei muito de conhecer mais um aspecto deste grande homem que ele foi.
Um abraço!